“Quando os portugueses chegaram nós já estávamos aqui;
e agora, de novo, estão invadindo nossas terras, nossa história, violando
nossos direitos”(Povo Munduruku)
O Seminário
aconteceu na tarde de terça-feira (06) no auditório do IFPA; na mesa de
abertura dos trabalhos estava o superintende de geração da Eletrobrás, Sidney
Lago; a prefeita de Itaituba, Eliene Nunes; prefeito de Jacareacanga, Raulien
Queiroz; prefeito de Trairão Danilo Miranda; o Diretor do IFPA, João Peralta; o
presidente da câmara de Itaituba, Wescley Tomaz; vereador de Itaituba Isaac Dias; a vereadora
de Trairão Carla Naisa; e o advogado José Antunes da OAB Subsecção Itaituba.
O seminário,
marcado para iniciar as 14h30, começou de fato às 15h e se estendeu até as
20h12min. No pronunciamento das autoridades, a prefeita Eliene Nunes destacou
as reuniões realizadas com entidades do município, afirmando “aqui temos pessoas comprometidas para pleitear as contrapartidas.
Temos técnicos capacitados para analisar as questões referentes aos estudos.
Quero deixar claro que nós não somos contra as hidrelétricas, mas, que venham
com desenvolvimento”. O prefeito de Trairão, Danilo Miranda, arrancou grande
aplauso da platéia ao afirmar que a região não pode pagar o
ônus de ter uma obra bilionária sem contrapartidas negociadas; “não podemos
ficar somente como as mazelas”.
Os lideres e presidentes de entidades como a Associação
Empresarial, Rotary Clube, Associação dos Filhos de Itaituba marcaram suas
falas defendendo Itaituba e região pedindo mais respeito e solicitando transparência
no processo de estudos; pediram políticas púbicas efetivas para região. O
presidente da CDL, Davi Menezes, entregou um documento em nome do movimento
#somostodostapajos onde pediu a impugnação do estudo uma vez que o mesmo tem
graves erros de divergências com a realidade.
A procuradora de Itaituba, advogada Naya Fonseca, falou
da análise que o grupo de entidades fez do sumário apresentado, afirmando que
há inconsistência nos dados apresentados e que os mesmos não correspondem à
realidade. Pediu que os dados e estudos fossem apresentados 30 dias antes dos
seminários e audiências para que haja tempo suficiente para estudá-los; e que
Itaituba seja incluída no estudo de impacto de 20 anos.
Entre as muitas falas esclarecedoras e preocupadas de
lideres de comunidades, ribeirinhos, ativistas de movimentos contrários às
hidrelétricas ecoou a voz de preocupação dos moradores da Vila de Pimental
diante da incerteza de onde eles irão morar, para onde eles serão remanejados
já que a vila será inundada. O vereador Isaac Dias reforçou “o governo não pode
ignorar nossa cultura e dizimar as comunidades do Tapajós”.
Um dos pontos de forte emoção da platéia foi a
participação de índios da etnia Munduruku. O cacique da aldeia do mangue,
Amancio, falou na língua nativa sendo compreendido apenas pelos indígenas, mas
aplaudido fortemente por todos. Um jovem indígena fez uma referência ao
descobrimento do Brasil e uma nova violação de seus direitos: “quando os portugueses
chegaram nós já estávamos aqui; e agora, de novo, estão invadindo nossas
terras, nossa história, violando nossos direitos”.
Os representantes da Eletrobrás e empresas responsáveis
pelo sumário executivo de Avaliação Ambiental Integrada da Bacia do Tapajós
(AAI) ouviram atentamente as colocações da plenária fazendo poucas
intervenções; e já com o adiantado das horas a bióloga Liz Carmem, professora
do IFPA e pesquisadora que teve grande importância no levantamento do assunto
na comunidade itaitubense, sugeriu o encerramento do seminário, com a proposta
de criação do comitê de Bacias do Tapajós.
Contribuições ao AAI podem ser feitas até o dia 06 de
junho pelo e-mail gg@eletrobras.com
E uma nova reunião está marcada para acontecer no
próximo dia 20 no auditório do SINTEPP, com horário a combinar.
ASCOM-PMI

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